Suporto “qualquer coisa”,
menos a hipocrisia
de alguém que diz que tudo vai bem
sem pensar em quem não tem
um pão para comer no outro dia.
Não suporto
ver gente mendigando a sobrevivência.
Acordar sem perspectiva para o dia que começa,
e o que lhe resta é amaldiçoar a existência.
Sinto pena, raiva ou sei lá o quê
de quem diz que isso é normal.
Esse conformismo impede melhoria,
fazendo do mal um bem e do bem um mal.
E quero gritar, espernear, estremecer
tentar achar uma saída.
Ser diferente. Nesse vai e vem, as cifra$
fazem os olhos crescerem.
Me pergunto: e como fica a vida?
Essa eternizada desilusão
acorrenta nosso poder.
Quebremos, antes de mais nada, o medo.
E acreditemos em nós, que podemos vencer,
E lutemos e assim venceremos.

Foto: Alidéia Oliveira Rodrigues - Professora da Educação Básica (Ensino Médio) do Estado da Bahia. Colaboradora da Associação Divina Providência. Mestra em Ensino, Linguagem e Sociedade, pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Especialista em Movimentos Sociais, Organizações Populares e Democracia Participativa – UFMG. Licenciada em História pela UNEB. A escrita me acompanha desde a adolescência. Já rabisquei poema à luz de lamparina. De vez em quando brota um verso que insiste em ir além da minha garganta. Algumas vezes eles viram texto, outros fumaça solta no universo, quem sabe procurando alguém que lhe dê mais atenção do que eu. De todo modo, é com alegria que compartilho com vocês alguns dos que ganharam forma! Que a poesia nos acalente e nos inspire a sonhar e construir dias melhores.