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Poesia: Maria das Dores?

Poesia: Maria das Dores? Foto: Alidéia Oliveira Rodrigues - Professora da Educação Básica (Ensino Médio) do Estado da Bahia. Colaboradora da Associação Divina Providência. Mestra em Ensino, Linguagem e Sociedade, pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB. Especialista em Movimentos Sociais, Organizações Populares e Democracia Participativa – UFMG. Licenciada em História pela UNEB. A escrita me acompanha desde a adolescência. Já rabisquei poema à luz de lamparina. De vez em quando brota um verso que insiste em ir além da minha garganta. Algumas vezes eles viram texto, outros fumaça solta no universo, quem sabe procurando alguém que lhe dê mais atenção do que eu. De todo modo, é com alegria que compartilho com vocês alguns dos que ganharam forma! Que a poesia nos acalente e nos inspire a sonhar e construir dias melhores.

Maria das Dores

colheu poucas flores.

A vida lhe deu uma surra de fedegoso.

Dos filhos que teve,

chamou à responsa,

e como uma onça,

não deixou nenhum deles, sequer ter jeito dengoso.

 

Forte e intensa

porque a vida lhe obrigou.

Para ter comida na dispensa

muita humilhação já passou.

Olhava a banana na fruteira da patroa numa boa

E pensava: que um dia talvez lhe sobrava

algum dinheirinho também.

Para comprar umas frutas e ver o sorriso dos pequenos

A quem tanto queria bem.

 

De noite, quando ia deitar,

cansada do trampo do dia,

Olhava a imagem da Santa Aparecida,

pois com a santa se parecia.

Minha Santinha preta,

dai-me forças, saúde e energia.

Para que eu consiga cuidar

dos filhos sem perder a alegria.

 

E que eles sofram menos

do que eu sofro por causa da minha cor.

Pois nesse Brasil de meu Deus,

ser preto é desafiador.

 

Mas ó Mãezinha, eu juro que não entendo!

Tanta gente que te reverencia,

te visita em Aparecida, faz promessa, romaria

mas continua com o chicote, batendo cada vez mais forte

nas gentes que tem a tua mesma cor e que sofre dia após dia.

 

Mãezinha preta: Eu sou Maria das Dores;

mas eu quero ficar com Dores só no nome.

Pois já são tantas dores na vida…

Eu estou querendo Flores.

Ahhh…se eu pudesse ser Maria das Flores.

 

Por que será que mamãe foi me chamar

logo de Maria das Dores…?

Vai ver ela sabia que a vida é cheia de Dores…

Mas …já bastava a vida, né?

Sei lá… deixa pra lá…

 

Eu só sei que cansei de apanhar.

E de agora em diante,

quem vier com desaforo, vai escutar…

E se insistir, vai apanhar.

Eu ando cansada de oferecer a outra face.

Quem me bater, agora vai levar.

 

Mãezinha preta, eu não sou da violência, não.

A violência é que me persegue,

através de tanta gente

que me explora, me aborrece, me entristece,

e corta meu coração.

 

Mas a leoa que mora em mim

me levará a defender.

Se mexer com minha filha,

como essa gente vai se ver!

E se necessário for, eu também irei bater.

 

Ah… E de hoje em diante, quero todo mundo avisado:

quero ser chamada de Maria das Flores!

Não quero dedo apontado

se não é meu admirador.

Então, que me respeite.

Ouviu bem, seu malcriado?

 

 

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