Na manhã desta quarta-feira (18), a sede da Secretaria Municipal de Agricultura, Recursos Hídricos e Meio Ambiente (SEMAR), em Brumado, foi palco de um encontro marcado por escuta, partilha e fortalecimento coletivo. A reunião mensal do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDS) reuniu presidentes de associações rurais, conselheiros e diversas representações do campo em um momento especial dedicado ao mês das mulheres.
Como vozes que constroem caminhos, a participação de Rosângela Ribeiro na reunião mensal do CMDS trouxe à tona a força da organização coletiva e da luta das mulheres por direitos: “As políticas públicas não se falam, mas se buscam. São grupos de base, dos grupos municipais, do regional, do estadual, para então ir para a nacional. A gente trabalha em rede, é um conjunto de mulheres que atua em busca do bem comum.”
Em um momento de forte emoção, Rosângela também relembrou uma experiência real de enfrentamento à violência: “(…) presenciei uma situação de violência e acompanhei a mulher até a delegacia para realizar a denúncia.” O relato de Ribeiro reforçou o quanto a solidariedade e a coragem podem transformar realidades.
Um chamado à consciência e à transformação
Com palavras firmes e necessárias, Raissa Santos provocou reflexão sobre a realidade enfrentada diariamente por tantas mulheres: “Esse é um debate que deve ser feito todos os dias, porque as mulheres são as principais vítimas dessa realidade. Nesse momento, em algum lugar, alguém está sofrendo discriminação.”
Ela também destacou a urgência de olhar para o campo com mais atenção: “As comunidades rurais são localidades onde ainda acontece muita violência contra a mulher. A partir do momento que entro nessa sala, não vou sair a mesma pessoa, ao conhecer os tipos de violência.”
Sua fala ecoou como um convite à mudança, individual e coletiva.
Moradia, dignidade e união
Ao abordar o direito à moradia, Luciane Martins destacou que, apesar dos avanços, a caminhada ainda exige união e persistência: “Com relação à moradia, nós temos avançado mas ainda temos muito a avançar nessa questão. O nosso papel enquanto cidadãos e cidadãs é buscar, juntos, pelo associativismo, o acesso à moradia.” Martins, trouxe esperança ao compartilhar ações concretas que já estão mudando vidas no campo. “Falando sobre o Programa Nacional de habitação Rural – PNHR, que está sendo executado pela Divina Providência, estão sendo construídas 36 moradias.”
Cada casa representa mais do que paredes: é segurança, dignidade e recomeço para famílias do meio rural.
Um encontro que transforma

Entre falas, escutas e sentimentos compartilhados, a reunião deixou marcas profundas. Não apenas nas discussões, mas nos corações de quem esteve presente.
Porque quando mulheres se reúnem, se fortalecem.
Quando compartilham suas dores, também constroem caminhos de cura.
E quando se organizam, transformam realidades.
O CMDS reafirma, assim, seu compromisso com o desenvolvimento rural aliado à justiça social, à equidade de gênero e ao fortalecimento das vozes que, por muito tempo, foram silenciadas, mas que hoje ecoam com força, coragem e esperança.

Foto: Angela Silva



